O domingo da alma: quando escrever também é descansar
- Suzana E. C. Simione

- há 4 dias
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Há dias que pedem silêncio. Não o silêncio vazio, mas aquele que acolhe, que envolve, que nos convida a voltar para dentro.
O domingo, muitas vezes, chega assim — como um sopro de pausa em meio ao ritmo apressado da vida.
Acostumamo-nos a pensar no descanso como ausência de movimento. Mas há descansos que acontecem em movimento suave, quase imperceptível.
Como quando escrevemos.
Escrever, nesses dias, não é tarefa. É abrigo.
É o lugar onde podemos repousar sem precisar sair de nós mesmos.
É onde pensamentos se organizam, sentimentos encontram forma e o coração, pouco a pouco, se aquieta.
Talvez por isso o domingo seja o dia ideal para esse encontro... Sem pressa, sem exigências, sem a necessidade de produzir — apenas o convite para estar presente. Um café mais demorado, uma luz suave entrando pela janela, e um caderno aberto como quem espera, em silêncio, ser preenchido não por obrigação, mas por verdade.
Escrever também pode ser uma forma de oração.
Não necessariamente em palavras dirigidas ao alto, mas naquele gesto íntimo de escutar a si mesmo com honestidade.
Quando a caneta desliza, muitas vezes é a alma quem fala — e nós apenas registramos.
E assim, entre uma frase e outra, algo se reorganiza dentro de nós.O que era ruído se transforma em compreensão. O que era peso se torna mais leve. O que era confuso começa a fazer sentido.
O domingo, então, deixa de ser apenas o fim de uma semana e passa a ser o início de um reencontro... Um espaço sagrado, onde descansar não é parar, mas se reconectar.
Que possamos acolher esses momentos sem culpa.
E que, sempre que possível, encontremos na escrita — simples, livre, verdadeira — um caminho de volta para casa.



Amei! Simplesmente reconfortante perceber essa verdade!
Muito lindo, obrigado.